O Termo de Ocorrência e Inspeção, conhecido como TOI, é o documento pelo qual a distribuidora registra indícios de procedimento irregular na unidade consumidora. Sua emissão, isoladamente, não comprova a responsabilidade do usuário nem torna automaticamente exigível o valor calculado.

O que a Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 exige?

Os arts. 590 a 595 da Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 disciplinam a caracterização da irregularidade e a recuperação de receita. Entre outros pontos, a distribuidora deve formar um conjunto de evidências, emitir o TOI, realizar ou facultar a verificação ou perícia metrológica nas hipóteses regulamentares, produzir avaliação técnica quando cabível, examinar o histórico de consumo e comunicar adequadamente o consumidor.

A apuração do período e do valor recuperável deve seguir os critérios sucessivos previstos na regulamentação. Por isso, o cálculo deve ser analisado em conjunto com a prova técnica, as notificações e a possibilidade efetiva de contestação.

Súmula 256 do TJRJ

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro consolidou, na Súmula 256, que o TOI não possui presunção de legitimidade, ainda que esteja subscrito pelo usuário. A assinatura não dispensa a demonstração técnica da irregularidade nem impede a análise do contraditório e dos demais elementos do caso.

Tema Repetitivo 699 do STJ: quando pode haver corte?

No Tema Repetitivo 699, o Superior Tribunal de Justiça fixou requisitos cumulativos para a suspensão do fornecimento por débito de recuperação de consumo. O corte administrativo pode ser admitido quando a fraude no medidor for atribuída ao consumidor, a apuração tiver respeitado o contraditório e a ampla defesa, houver prévio aviso e o débito inadimplido corresponder ao consumo recuperado dos 90 dias anteriores à constatação da fraude.

Além disso, o corte deve ser executado em até 90 dias após o vencimento do débito. Valores referentes a períodos anteriores podem ser buscados pelos meios ordinários de cobrança, mas não ampliam, por si sós, a autorização de interrupção definida na tese.

Tema Repetitivo 1.436 do STJ: controvérsia ainda pendente

Em nova conferência realizada em 1º de novembro de 2026, o Tema Repetitivo 1.436 permanecia afetado, sem tese definitiva. O STJ examinará situações de alegado desvio de energia antes do medidor, inclusive a regularidade do procedimento, a possibilidade de cobrança estimada e a eventual suspensão administrativa do serviço.

A decisão de afetação determinou a suspensão dos recursos especiais e dos agravos em recurso especial, interpostos nos tribunais de segunda instância ou em tramitação no STJ, que tratem da controvérsia delimitada. Essa ordem não deve ser descrita como suspensão automática e indistinta de todo processo em primeiro grau.

A afetação e a suspensão recursal não antecipam resultado favorável ao consumidor ou à concessionária. Elas apenas reservam ao STJ a uniformização futura da questão jurídica.

Quais documentos devem ser preservados?

  • TOI e respectivos anexos;
  • laudos, relatórios técnicos e comprovantes de eventual perícia;
  • contas anteriores e posteriores à inspeção;
  • fotografias e vídeos do medidor e da unidade consumidora;
  • notificações, avisos de corte e memória de cálculo;
  • protocolos de atendimento e reclamações administrativas;
  • documentos relativos ao imóvel e à titularidade da conta.

Conclusão

A validade da cobrança depende do procedimento adotado, da qualidade da prova, da participação assegurada ao consumidor e da correta aplicação dos critérios regulatórios e jurisprudenciais. Questões sobre cobrança, negativação ou interrupção do serviço exigem análise documental individualizada.

Conteúdo informativo. Este texto considera as fontes oficiais disponíveis em 1º de novembro de 2026. Não trata de processos patrocinados pelo escritório e não contém promessa de resultado.